Um novo levantamento do Instituto Monte Castelo, intitulado Ranking de Plenário, avaliou o alinhamento dos deputados federais a pautas consideradas conservadoras, com base em 50 votações realizadas na Câmara dos Deputados entre 2023 e 2026. A metodologia atribui notas de zero a dez, considerando a conformidade dos votos dos parlamentares com as recomendações da entidade em temas como liberdade econômica, direito de propriedade, redução do tamanho do Estado, defesa da vida, família, liberdade de expressão, armamento civil e combate à corrupção e abuso de poder.

Divisão ideológica entre partidos e desempenho individual

Os resultados do ranking revelam uma clara divisão ideológica entre as bancadas partidárias. O partido Novo lidera entre as legendas, com uma média de 9,07 pontos, seguido pelo PL, que obteve 7,17 pontos. União Brasil, PP, PRD e Republicanos também figuram com notas acima de cinco. Na outra ponta da tabela, partidos de esquerda ocupam as últimas posições: PT (com menos de um ponto), PSOL, PCdoB, Rede, PV e PSB. O PT, por exemplo, registrou a menor média, e o PSB a sexta pior, com 2,10 pontos.

Individualmente, a deputada Caroline de Toni (PL-SC) alcançou a primeira colocação, com 9,61 pontos, destacando-se nas áreas de Economia (9,50) e Sociedade e Instituições (9,73). Josias Gomes (PT-BA) ocupa a última posição individual, com nota 0,53.

O que o Ranking de Plenário mede

O Instituto Monte Castelo esclarece que o ranking não avalia a produtividade, a qualidade dos projetos, a assiduidade ou a capacidade de articulação política dos deputados. O foco exclusivo é o alinhamento dos votos dos parlamentares com as posições defendidas pela entidade. As 50 votações analisadas correspondem a 48 propostas, sendo duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) votadas em dois turnos. As votações foram agrupadas em duas categorias principais: Economia (liberdade econômica, direito de propriedade, redução do Estado) e Sociedade e Instituições (proteção da vida, defesa da família, direitos individuais, combate à corrupção e abuso de poder). Cada votação teve um peso de um a três, conforme a importância atribuída pelo instituto. Para evitar distorções, apenas deputados que participaram de pelo menos 26 das 50 votações foram incluídos. Uma nota alta indica maior aderência à agenda do Monte Castelo, e não uma avaliação universal da performance parlamentar.

Comparativo com edição anterior e desempenho estadual

Comparando com a edição anterior, que analisou dados de 2019 a 2022, o Novo manteve a liderança partidária. A principal mudança notada foi o avanço do PL, que subiu da quarta para a segunda posição. O próprio Instituto Monte Castelo observa que o PL se consolidou como uma legenda de perfil conservador, mas ainda abriga parlamentares com posições menos ideológicas, o que, segundo a entidade, explica a média ainda abaixo do Novo.

Na análise por estados, Santa Catarina lidera com a maior média de alinhamento (6,88 pontos), seguida por Rondônia (6,72) e Mato Grosso (6,24). No extremo oposto, Piauí registrou a menor média (2,65), com Bahia (3,22) e Ceará (3,35) logo acima. A média geral da Câmara, no entanto, apresentou uma queda de 4,55 para 4,17 pontos em relação à edição anterior, indicando, sob os critérios do instituto, uma menor aderência média às posições defendidas pela entidade na legislatura atual.

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