Em 14 de abril de 1865, a história americana foi marcada por um trágico evento no Teatro Ford, em Washington. O presidente Abraham Lincoln foi baleado por John Wilkes Booth, e os primeiros socorros foram prestados por um jovem cirurgião militar de apenas 23 anos, Charles Leale.

Leale acompanhou o líder americano em seus momentos finais, desde o ataque até a morte na manhã seguinte. Inicialmente, o cirurgião presumiu que Lincoln havia sido esfaqueado, ao ver o assassino com uma adaga. Contudo, uma inspeção minuciosa do corpo não revelou cortes no ombro do presidente. Ao passar as mãos pela cabeça, Leale encontrou um coágulo de sangue na parte posterior do crânio. A remoção do coágulo revelou o orifício da bala, confirmando que o projétil havia atingido o cérebro e provocado um coma profundo.

Primeiros Socorros e o Transporte Urgente

Diante da gravidade da lesão, Leale agiu rapidamente, removendo o coágulo para aliviar a pressão e auxiliar a respiração de Lincoln, que se mostrava pesada e difícil. Ele também solicitou aguardente e água na tentativa de reanimar o presidente. Com a chegada de outros médicos, a equipe decidiu que Lincoln não suportaria um transporte longo e optou por levá-lo para uma residência próxima.

O presidente foi carregado para a casa de William Peterson, localizada em frente ao Teatro Ford. Devido à altura de Lincoln e ao tamanho da cama disponível, os médicos precisaram posicioná-lo na diagonal, removendo a parte dos pés do móvel para acomodá-lo. Ali, cercado por familiares, amigos e médicos, ele passou suas últimas nove horas de vida.

As Últimas Horas e o Desfecho

Durante a madrugada de 15 de abril de 1865, a equipe médica monitorou continuamente o pulso e a respiração de Lincoln. Ele apresentava sinais claros de danos cerebrais severos, como pupilas com dilatação assimétrica e extremidades do corpo muito frias. Apesar dos esforços para aquecê-lo com garrafas de água quente e cobertores, o quadro era irreversível. Às 7h22 da manhã, Abraham Lincoln foi declarado oficialmente falecido.

O Destino do Atentador

Após atirar no presidente, John Wilkes Booth saltou do camarote para o palco, tropeçou em uma bandeira americana e fugiu brandindo uma faca. Ele conseguiu escapar do teatro e permaneceu foragido por doze dias. O relatório médico, embora focado no atendimento a Lincoln, registra que Booth foi posteriormente localizado e baleado pelas autoridades durante a perseguição.

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