Burocracia e falta de investimento privado desafiam inovação brasileira
Apesar de um histórico de invenções, o Brasil enfrenta obstáculos burocráticos e de financiamento para converter ciência em riqueza, ocupando a 52ª posição global em inovação.
Sumário do artigo
O Brasil, reconhecido por invenções históricas como o avião e o câmbio automático, enfrenta hoje um desafio significativo para transformar o conhecimento acadêmico em valor de mercado. Atualmente na 52ª posição do ranking global de inovação, o país lida com entraves burocráticos e a carência de investimento privado, fatores que dificultam a conversão da ciência em riqueza econômica.
O abismo entre inventar e inovar
A distinção entre inventar e inovar é crucial no contexto brasileiro. Inventar, que o Brasil realiza com proficiência, especialmente em suas universidades, refere-se à criação de algo novo, como uma técnica ou aparelho inédito. Já inovar implica pegar essa invenção e transformá-la em um produto ou serviço que gere valor econômico e alcance o consumidor final. O principal desafio nacional não reside na falta de criatividade ou inteligência, mas na dificuldade em converter ciência qualificada em negócios reais e competitivos no cenário internacional.
Posição do Brasil no cenário global
Conforme o Índice Global de Inovação de 2025, o Brasil ocupa a 52ª posição mundial. Enquanto nações como Coreia do Sul, China e Taiwan, que outrora apresentavam patamares de desenvolvimento similares, avançaram para a fronteira tecnológica, o Brasil permaneceu aquém. O topo do ranking é dominado por países como Suíça, Suécia, Estados Unidos, Coreia do Sul e Singapura, que demonstram sucesso na integração da pesquisa científica ao setor produtivo.
Quem cria as patentes no país?
O perfil dos depositantes de patentes no Brasil passou por uma mudança expressiva. Em 2001, a maioria dos registros era feita por pessoas físicas. Em 2024, no entanto, o cenário é dominado por instituições acadêmicas, com 37 dos 50 maiores depositantes de patentes de invenção sendo universidades. No setor privado, empresas como Stellantis e Petrobras se destacam, mas o volume de empresas brasileiras inovando ainda é considerado baixo em comparação com concorrentes estrangeiros.
Maiores obstáculos para a inovação
Especialistas apontam uma série de “gargalos” que limitam o progresso da inovação: burocracia excessiva, insegurança jurídica e instabilidade no financiamento à ciência. Adicionalmente, há uma necessidade de articulação mais eficiente entre universidades e empresas. O mercado de capitais brasileiro, por sua vez, mostra-se mais voltado para serviços e tem menor apetite para o risco de investir em produtos físicos, que demandam fábricas e processos complexos de manufatura.
Tempo para obter uma patente
Atualmente, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) leva em média 4,3 anos para tomar uma decisão final sobre um pedido de patente. Embora esse prazo ainda seja considerado longo, o órgão tem trabalhado para reduzi-lo, com a meta de atingir dois anos. Esse processo é fundamental, pois a patente garante ao criador o direito exclusivo de explorar sua invenção por até 20 anos, protegendo o investimento em pesquisa e desenvolvimento.
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